terça-feira, 28 de julho de 2015

O jardim de um sonho contraditório


Muito raro um dia sem dor ou dormência.
Não raro é que eu perca a paciência 
com esse fingir procurar a cura da alma
e a inútil negação dos absurdos da vida.
(É assim que muitos permanecem no nada)
E, pelo tanto e pela falta de explicações,
deixo os meus ouvidos surdos,
abafando os surtos com mega metais
até cair no sono...
ou que escorra os excessos, 
manchando meu rosto feito de carbono.

                        *
[ Longe; muito longe dos escombros,
tinha um lugar relvado e um mar
de trevinhos coloridos
que cobria as ondulações do campo
cercado por grandes árvores.
E, o sol ameno invadia pela fresta
de folhas úmidas e perfumadas.
Era tudo tão nítido, tão vívido!
Me deitei sobre essa cama
de pequeninas flores, mesmo ali!
E finalmente, finamente adormeci...

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Despedida


Eu digo adeus 
antes que você diga.
Antes que meu coração sinta
ou que você minta.
Digo adeus pra te abandonar
antes que você me abandone,
antes que eu me apegue,
antes que eu te ame...
e negue.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Das medidas menores


É fácil demais perder o chão, 
os passos...
Ter tudo nas mãos e 
noutro instante bagaços.
Ficar sem nada e ter de 
soprar a poeira da própria cara...
Arrumar forças, sabe-se lá de onde
e continuar, sabe-se lá pr'aonde...
mas caminha-se assim mesmo.
Mesmo sem rumo ou sem ter como 
caminhar, mesmo sem ver
que o triunfo de toda a vida é 
saber como viver...

sábado, 30 de agosto de 2014

Do que parece simples...


Que esse frio acabe.
Que essa dor pare.
Que o cansaço passe
e minhas pernas se firmem.
Que minhas ideias iluminem,
mas eu durma a noite toda
e pela manhã,
quando acordar,
que eu levante,
prepare teu café
e te beije consciente
antes de me despedir no portão
e até,
me erguer nas pontas dos pés,
pra te ver no último adeus.
Que eu te receba sorrindo
e não esqueça a hora do jantar.
Que eu queira te abraçar,
sabendo que não ficarão marcas...
Porque eu te amo, 
eu te amo,
mas estou quebrada...


segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Muitas gotas de terebentina


Me certifiquei das palavras:
nenhuma letra mítica,
nenhuma frase enigmática,
nenhum símbolo que
precisasse ser decifrado.
Abandonei as entrelinhas,
apaguei os rabiscados,
mudei o aparato de uma
linguagem subliminar
pela desambiguação...
Cortei as extremidades
e como já não te escrevia
futilidades, decidi não
postar a carta com uma folha em branco...


sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Do parapeito...


Nos veio uma brisa quase quente
e vimos o sol descer as escadas devagar,
tão lento quanto estávamos no fim de tarde.
Naquelas horas em que anoitece de repente,
mas ainda não era... eram mentes a vagar.
Eram nuvens fugindo sem alarde,
abrindo-se em largos espaços,
unindo-se em outros cantos iluminados.
E nós, sentados, bebericando um café...
Esperando, pra ver nos degraus seus passos.
E subia apressada, pra fazer-nos calados
de lua inteira, da grandeza e beleza perene que é. 










(imagem-google)

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Alegoria do Amorte


É um engano... um engodo,
uma melodia hipnótica,
uma fantasia que seduz...
Que sob a minha ótica
é apenas corpo sem luz; 
um jazigo.
E traz uma ânsia consigo:
ludibriar corações carentes.
Enlaçá-los em cordões latentes
e deixá-los... 
E nem precisará ter o trabalho 
de enforcá-los.
Pularão para o amor invisível
em um passo trôpego.
Morrerão de amor invisível...
tentando inspirar um último 
fôlego.